Esta não é a história da guitarra do Rossi, ou dos bêbados no lançamento de calouros. Esta não é a história do Luis no show do U2, tão pouco da pior distribuição de cartas já vista, feita por Arthur. Nada disso. Esta é a história do Vini.
Não havia como ser diferente, o dia era dele. Em comemoração ao novo emprego que conseguiu, Vini comprou muita, mas muita Heineken. Suficiente para que fosse operado um petardo alcoólico. E o pessoal se esmerou na tarefa.
Logo no início da peleja, ouve-se o diálogo entre Vini e Lipe:
- All in.
- Tá pago.
- Parabéns.
Cinco minutos depois de fazer sua second chance, Vini aumenta pré-flop e eu pago com QQ. O flop traz JJ4 e eu aposto. Vini, que há tempos teima em não acreditar nos meus aumentos, paga. No turn, uma dama. Fullei. Aposto mais e o descrente paga. No river, uma carta irrelevante faz nosso equatoriano perder mais dinheiro ainda.
Nesse momento, Vini está à beira da morte e só um milagre poderia salvá-lo. Não houve milagre algum e ele foi elminado em seguida.
Se você está pensando que a história acabou, siga lendo, caro leitor, pois é fora da mesa que o nosso herói mostra seus verdadeiros dotes no jogo.
Encostado displicentemente na parede, segurando seu copo de breja, ele faz uma palestra para sua interessada aprendiz Cris: "O Bruno, o Bruno é difícil de se jogar contra. O Mac, humm, o Mac sai logo, logo. O Rossi é doido, mais doido que o Thor. O Thiago não tá bem hoje. O Lucas eu ainda não sei". Cris fica boquiaberta com tanto conhecimento, tanta experiência. Em pouco tempo aprendeu segredos sobre todos os jogadores. Todos menos sobre o Vacilo, Fusuê, Dragão e o Digas.
Lá para uma hora da manhã, Lipe está imenso em fichas, um monstro. A torre de chicletes tem a mesma altura que o Fizão. Você, leitor, que é uma pessoa inteligente, vai concordar que não tem como o Lipe perder em uma situação dessas.
"O Lipe chega no máximo em terceiro". Silêncio. Apreensão. Todos pasmos. Quem teria profanado tamanha heresia? Que espírito tão contraventor teria uma opinião forte dessas? Só podia ser alguém que não tem papas na língua, alguém autêntico, que fala o que pensa. Só podia ser o Vini.
Depois dessa blasfêmia, uma mão inusitada. Fiz uma sequência no river e apostei mais fichas do que tinha o Luis. "É o meu all in. Eu pago". Mostrei a sequência e ele escondeu as cartas, frustrado. Enquanto eu coletava meu pote gigante, alguém que tinha visto as cartas do Luis conclui que ele havia feito um full e que teria vencido a mão. Após uma falsa ligação para o mestre Joes, a conclusão: cards speak, Luis ganha. Assim, de maneira justa, mas desgostosa, repasso mais de mil cebeletas para o alemão, após fazermos uma conta que até agora ninguém sabe se está certa.
Em certo ponto, sobram três jogadores: Lipe, Bruno e eu. E aí está o ponto chave da noite. Ao observar aquela finalzinha fedida - não tanto quanto o jogo do Palmeiras - Vini vem à mesa e compartilha conosco seu ensinamento mais importante.
- Vocês conhecem o conceito de adstringência da sorte?
- Adstringência, Vini? Não. - respodem os jogadores.
- O que é uma substância adstringente, pessoal? - Vini inicia sua aula sobre o assunto.
- É....
- É uma substância que adstringe a substância. Os átomos.
- Ah tá....
- Então, vocês precisam ser adstringentes à sorte.
- Sei...
- E como faz para ser adstringente à sorte? - Vini usa perguntas retóricas como meio de facilitar o entendimento dos incultos.
- Como?
- É simples, é só se tornar adstringente.
- Aaah tá....
A partir de conceitos tão claros e pontuais, o jogo muda. A cada rodada escuta-se dos jogadores "Aqui adstrinjou!", "Essas cartas não estão adstringindo!" ou "Adstringência total!"
Lipe, infelizmente não captou os ensinamentos do profeta e começa a se dar mal, como mostra o gráfico abaixo. Seu par de KK só perde se virar um espadas pra mim, e vira. Paga all-ins sempre dominado e nunca vence. Vai sendo devorado por seus adversários, até que a previsão inicial de Vini se confirma. Lipe terceiro.
Na final, Bruno tem muito mais fichas, mas muito menos adstringência. Eu faço o ritual adstringidor e faço uma sequência com um 10 maroto no turn. Na última mão, Bruno aposta tudo com QQ e encontra um AA pela frente.
Assim, coletando ensinamentos e inimigos, vou galgando meteoricamente meu espaço no ranking O-FI-CI-AL do CEB Poker. O outrora Dead Money agora é o líder da corrida 2011 e o segundo maior vencedor da história. À sua frente, só Arthur. E, como dizia a família Brito, "em meia maratona, quem tem pino perde".
Bola cheia para nós: Guitarra do Rossi e vocais de Fizão "Eddie Vedder" Menegatti.
Bola murcha para o vizinho: Guitarra do Rossi e vocais de Fizão "Eddie Vedder" Menegatti.
5 comentários:
Sorte no jogo e azar no amor.....kkkkkk
Puta comentário tosco. O cara adstringiu ao jogo. Não tem nada a ver com amor. Apapap...
e eu perdendo tempo no show do U2...
anônimo, vai se fuder.
aquele J3 ganhando do meu KK foi palhaçada.
Anonimo, adstrinja sua cara num muro, por favor.
adstringencia solitaria de um anonimo desgostoso...
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