sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Hall da fama Poker 01/12/10 – n. 249

O império da protocolagem contra-ataca.

Noite de quarta. Trabalho até mais tarde em um laboratório sujo da cidade. Hora extra? Não. Workaholic? Também não. Prazos? Possívelmente. Não adianta tentar me iludir...sabemos que só há uma resposta...PROTOCOLAGEM.

Vejo a protocolagem estampada em todos lugares, como se fosse uma mensagem subliminar nas vitrines da repartição pública ou nas telas planas das tvs do CEB, que insistem em mudar de tamanha a cada semana. Por falar em tvs, o responsável pela área de tecnologia, quando indagado, somente responde: “É, essa acabou de chegar, mas vai semana que vem. O video game que estava aqui foi, voltou, fingiu ir de novo, subiu pro meu quarto, foi barrado por causa de ofícios e agora taí”. Mais uma coisa perdida nos confins do universo da burocracia.

Deciso investigar a fundo essa história. Chego ao antro, ao recinto. Há várias bebidas espalhadas, parece que o lugar receberá ou recebeu uma festa muito recentemente. No local, há vários protocoladores de alta periculosidade...O Tobias, ou como todos o conhecem, como “aquele da protocolagem”; Sven, o finlades protocolador-mor, Mank, com sua cicatriz que mostra o sinal de sua experiência, Rossolino, que na boca pequena também é conhecido como “Meninão”; o Amarelo, que nunca se sabe se ele está protocolando ou não; Monidog, que só está nessa pra meter pressão e Louis, o alemão maluco. Tudo seria resolvido na noite envolvendo um carteado. Há!, mas é claro! Nunca seria resolvido de uma vez só, como duelos de tiros ou danças no coelhinho...afinal, aqui é o império da protocolagem.

A protocolagem rola solta...até pra pegar breja no freezer, tem que pedir autorização pro reitor...fazer churrasco então...purfff...só com querosene pra acender o carvão...

No começo, tentei uma abordagem diferente. “Se eu jogar agressivo, a protocolagem não terá chance”, pensei. O Amarelo me mostrou que eu não podia estar mais enganado, fazendo um full logo na minha primeira participação e levando meu all-in. É assim que as coisas têm que ser então...

Com metade das fichas, volto pro jogo. O jogo rola...Vini ganha mais um all-in de Rossi e fica o magnata da mesa. Mas começa a despistar, falando que só jogava bem com short-stakes. Alguém tem dúvidas de que isso é mais um dos seus planos burocratas? Louis, o alemão maluco, não deixa por menos e pega todas as fichas de Amarelo. Tobias, aquele da protocolagem, parece que estava pensando em um ofício de casamento e foi jantado. Mank foi convalescente e abdicou de suas fichas para virar o croupier fanfarrão. Agora a protocolagem consistia em passar o botão do dealer para obter cartas. Rossolino, parece que resolveu jogar na retranca e acumulou as fichas que outrora foram de Vini. Num all-in automático de Vini, paguei com 58 de espadas, e Monidog pagou com JJ. No flop, 55X. Pensei em jogar agressivo, mas aprendi minha lição. Apenas dou mesa. Monidog volta all-in, que foi pago e mais dois foram pra fora da mesa. A partir daí, o jogo foi rebolado. Entrei no jogo deles, entrei numa protocolagem porca. Se não fosse suirted ou seguida, nem jogava. O dinheiro corria de mãos em mãos. Louis sucumbiu aos blinds. Rossi começou a jogar agressivo, e aconteceu como naquela famosa música “jogou como o Diogo e foi jantado”, perdendo para pares de 5 e 6.

Frente a frente com o maior retranqueiro do império da protocolagem. Par de ás é pouco para ele jogar. Par de rei, só em desespero. Aproveitando da situação monetária, decidi que era hora de jogar agressivo. All-in. Lipe vence. All-in novamente. Lipe não consegue fazer mais a sua protocolagem. Fim do império.

Campeão: Tonhão
Vice: Lipe

Bola cheia: novo jogo do coelhinho
Bola murcha: linguiça com tempero de querosene

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