Já são doze anos de noivado,
Ou você casa ou desinfeta!
O ano passado o casamento era nossa meta,
Mas aí eu fui à falência, e vendi até a motocicleta,
Tudo porque investi na bolsa como um pateta,
Seguindo orientações de uma gerente analfabeta!
Volta e meia minha querida noiva alfineta,
Precisamos nos casar, senão vai conhecer sua neta!
Cada dia ela fica mais irrequieta
E tudo que eu digo ela encasqueta,
Apesar de dizer que ela é minha predileta!
Vira e mexe planos ela arquiteta,
Quase sempre eu digo: engaveta!
Sinto que a falta do casório nos afeta,
Mas nossa vida segue em linha reta!
Só receio que alguma greve ela decreta!
Ela é são-paulina, mas muito discreta,
Não é dessas que quando o time perde vegeta,
Típica torcedora que age de forma correta,
Incentivando sempre, ela nunca o clube marreta!
Ontem a convidei para ir ao Morumbi,
Ver São Paulo e o bom time do Barueri!
Precisamos economizar para o casamento! Quase que ela veta,
Minha sorte, foi chegar em casa minha sogra, que anda ereta,
E quando o assunto é casamento, a velha sempre me excreta,
Dizendo que eu não sou atleta, e preciso fazer uma bela dieta!
Fui sozinho e no Morumbi encontrei um amigo profeta,
Disse que seria um a zero, e vai ter bola na trave, ele espeta!
Na mega loja da Reebok, encontrei outro amigo, um poeta,
Ele estava acompanhado da esposa, uma senhora quieta!
Estavam com os dois filhos, exemplo de família concreta,
Esbanjavam felicidades dentro da loja quase repleta,
Contei-lhes minha situação de maneira completa,
Estou me recuperando aos poucos da falência direta!
Perguntei ao casal se podia fazer uma pergunta secreta,
Porém pedi sinceridade e que a resposta não fosse incompleta,
Já que minha pergunta seria curta mas por demais indiscreta!
Amigos sejam sinceros: Caso ou compro uma bicicleta?
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