sexta-feira, 5 de junho de 2009

Jogos para História - Milan Vs Liverpool

Jogos Para História está de volta com outra daquelas partidas que a gente nunca esquece de lembrar.

Coincidentemente, nosso jogo memorável foi outra final de Champions League, dessa vez do ano de 2005. A maior e mais importante competição de clubes do mundo deu outro presente para os amantes do futebol.

O dia era Quarta-Feira, 25 de maio de 2005. Milan e Liverpool desmentiriam os críticos-pseudo-jornalistas-chavões que, aos quatro cantos, divulgavam o que seria a partida: um duelo entre a retranca italiana e o tradicionalismo inglês.

Sorte dos 70.024 expectadores, que não deram importância para isso, e lotaram o Atatürk Stadium , em Istambul.

O Liverpool, tetra campeão da competição, chegava a sua sexta final após se classificar na última rodada, na segunda colocação do grupo e depois eliminar Bayern Leverkusen, Juventus e Chelsea, nos mata-matas. O Milan, seis vezes campeão europeu, sobrou na competição. Classificou-se com folga em primeiro do seu grupo, à frente do Barça, e nos mata-matas despachou o Manchester-United, atropelou a Internazionalle e garantiu a vaga na finalíssima desbancando o PSV. Para os “especialistas”, dessa vez tinha favorito.

O Milan contava com os craques Kaká, Seedorf , Schevchenko e o eterno capitão Maldini. O Liverpool, um pouco mais modesto, tinha Luis Garcia, Xabi Alonso e o capitão Steven Gerrard.
Os times entraram assim:


A exemplo da final de 1999, o jogo mal começou e Paolo Maldini abriu o placar, com um belo sem-pulo da entrada da área, com 1 minuto de bola rolando. Sinal de jogão pela frente. Mas ao contrário do Bayern, o Milan não esqueceu de fazer mais gols. Continuou com o domínio do jogo e, aos 38 minutos, Hernán Crespo faz o segundo para o time de Milão, numa bela jogada de Kaká.
Comentários como “agora complicou para o Liverpool” e “Falam que 2x0 é um placar perigoso, mas eu prefiro estar ganhando de 2x0 do que de 1x0” rolavam soltos naquela hora quando Hernán Crespo, de novo o argentino, fez o terceiro num belo contra-ataque aos 44 minutos. Aquele primeiro tempo foi considerado pelos ingleses mais fanáticos como a segunda tragédia de Liverpool.

A surra na primeira etapa não deixou os ingleses desanimados, sem vontade de cantar uma bela canção. A torcida da terra dos Beatles arrepiava no intervalo. E não era Help que se ouvia no estádio e sim You'll Never Walk Alone, tradicional canto de apoio e de fé da torcida vermelha para seus ídolos, que ecoava aos 4 cantos de Istanbul.

O segundo tempo aconteceu apenas para mostrar mais uma vez porque o futebol é aquele esporte muito foda, que você se orgulha de assistir, jogar, e discutir com os amigos numa mesinha de boteco acompanhado de uma brejinha gelada num domingo de tarde. E, depois desse dia, Milan x Liverpool foi automaticamente adicionado aos vossos seletivos repertórios de jogos memoráveis.

Não se sabe o que aconteceu no intervalo, mas o time de Liverpool voltou para o campo achando que ainda dava. E, impressionantemente, começou a fazer sentido. Aos 54 min de jogo, o Capitão Steven Gerrard diminui o placar, numa precisa cabeçada da entrada da pequena área a partir de um cruzamento vindo da esquerda. Dois minutos depois, Smicer acerta um belo chute de fora da área e faz o segundo. Aquela hora o Liverpool realmente acreditava que era possível. Narradores e comentaristas retificavam tudo que haviam falado ao final do primeiro tempo e a torcida inglesa pirava a cada ataque dos Reds.

A verdade é que mal deu tempo de assimilar os dois gols relâmpagos no início do segundo tempo quando Steven Gerrard entra na área e é derrubado. O árbitro aponta para a marca da cal e Xabi Alonso é o encarregado da cobrança. Ele vai pra bola, bate no canto esquerdo e Dida defende. No rebote, o próprio Xabi Alonso consegue concretizar, empatando o jogo e fazendo o mais fanático torcedor do Liverpool não acreditar nos números que o placar eletrônico mostravam: 60 minutos de jogo, Milan 3 x 3 Liverpool. Incrível.

O Milan não havia abdicado do jogo. O que aconteceu foram umas daquelas coisas que não tem mesmo explicação, quando é pra ser, é. E pronto. E quando isso acontece tem sempre alguém naquele dia iluminado, que tudo da certo. Muitos poderiam discordar que esse cara foi o goleirão Dudek. Como um cara que levou 3 gols pode estar no seu grande dia? Tava sim, presta atenção.
Dudek pegou tudo no segundo tempo e garantiu que o milagre do empate se mantivesse. Mas, não satisfeito, fez outro milagre. Só seu. A defesa na cabeçada de Schevchenko aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação já poderia garantir sua canonização, mas o que aconteceu no rebote foi inexplicável (4:35 do vídeo). Não havia ninguém no estádio que não apostasse que Dudek era o cara.

Fim da prorrogação. 3x3. Vamos para os penaltys.

Mas você também já sabia, olhem lá o Dudek de novo! Pegou 3 das 5 cobranças milanesas e terminou a obra.

Confira aí como foi tudo verdade!




Na saída do estádio, um torcedor turco mais exaltado deixou escapar que não sentia tamanha emoção desde a queda de Constantinopla, em 1453.

Um comentário:

Mauro, o palhacinho disse...

Olha, essas matérias entram para os anais de boas matérias da internet.

Excelente!